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Estudo demonstra menor reação imune em algumas próteses o que pode contribuir para prevenção da Doença do Silicone

Publicada recentemente na revista Nature, pesquisa realizada no MIT/EUA que reúne cientistas de vários países se deteve na biocompatibilidade de próteses mamárias com determinadas superfícies

A superfície do implante mamário de silicone pode resultar em ativação do sistema imune e de células de defesa do corpo (linfócitos), acarretando maior fibrose e inflamação crônica.

Segundo o Prof. Alexandre Mendonça Munhoz, um dos co-autores do estudo e coordenador do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Moriah, esse fenômeno é comum a qualquer material sintético introduzido no organismo como marca-passo, válvulas cardíacas e próteses de silicone, sendo a intensidade da resposta imune o fator determinante para maior ou menor biocompatibilidade.

Tudo isso foi analisado em um estudo conduzido em Boston, EUA no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e recentemente publicado em uma das mais importantes revistas científicas do mundo, a Nature, com a participação de pesquisadores de vários países, entre eles o Prof. Munhoz.

Recentemente, vários casos de explantes de silicone foram relatados na imprensa e nas mídias sociais por usuárias com diversas queixas – algumas válidas e outras nem tanto. Nesses casos há relatos de sintomas semelhantes a doenças reumatológicas, a chamada Doença do Silicone ou Síndrome de ASIA (Auto-immune Syndrome Induced by Adjuvants).

De causa incerta, essa síndrome tem merecido destaque nos últimos anos, sendo a ativação do sistema auto-imune desencadeado por alguns tipos de próteses, uma das principais teorias para o seu desenvolvimento. Desta forma, algumas mulheres passaram a questionar a segurança das próteses e têm optado pela sua retirada completa, mesmo satisfeitas com o resultado estético e sem alterações nas próteses. Fato este que em alguns casos pode levar a alterações da imagem corporal e perda de qualidade de vida, sobretudo em mulheres submetidas a reconstrução mamária pós-câncer e casos de estética em assimetrias mais graves ou deformidades congênitas. Uma das constatações do estudo publicado na Nature, feito em ratos, coelhos e posteriormente em humanos, é de que a maior rugosidade da superfície da prótese poderia estimular o desenvolvimento de linfócitos T, uma das células de defesa, e esse estímulo crônico em mulheres com predisposição genética determinaria o aparecimento de doenças raras, como um tipo de câncer do sistema linfático (linfoma de células anaplásicas ou ALCL) ou mesmo a chamada Doença do Silicone.

Desta forma, o desenvolvimento de superfícies mais biocompatíveis e com menor estímulo ao sistema imune, forneceria mais segurança para as mulheres que queiram se submeter à cirurgia estética e reconstrutora da mama ou mesmo a troca de próteses já antigas. Neste último campo, sabe-se que uma das principais razões de troca de prótese é o fenômeno de contratura capsular secundária à fibrose e maior inflamação.

Assim, próteses com superfícies com menor ativação do sistema imune, e por consequência menor incidência de contratura, resultariam em uma redução das reoperações e na menor necessidade de explantes de silicone motivados pela resposta imunológica da paciente. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) mostram que aproximadamente 200 mil mulheres são submetidas a cirurgias de colocação de prótese de mama no Brasil por ano, e estima-se que aproximadamente 30 milhões têm prótese de silicone no mundo. Nesse contexto global, o presente estudo descortina novas perspectivas para cirurgia mamária com próteses, além de lançar uma nova luz na pesquisa das causas da Doença do Silicone e com novas opções de tratamento além da cirurgia do explante.

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