A radiofrequência ecoguiada é um procedimento minimamente invasivo que pode substituir a cirurgia aberta ou robótica em casos de doença localizada

Os tumores neuroendócrinos representam 3% de todas as neoplasias de pâncreas. Segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer) estão previstos 5690 novos casos ao ano de câncer de pâncreas e esta é uma das doenças mais temidas entre a população, pois representa 0,83% do total de mortes por câncer no Brasil. Em 2022 tivemos 12.654 óbitos decorrente dos vários tipos de câncer neste órgão.

Os tumores neuroendócrinos, embora raros, se originam de células neuroendócrinas presentes em todo o corpo, com alto potencial de malignidade. Estes tumores têm a capacidade de produzir e secretar hormônios para a corrente sanguínea causando síndromes e o pâncreas é um dos órgãos mais afetados, com cada vez mais casos.

Os tumores neuroendócrinos que secretam hormônios são conhecidos como funcionantes, podendo causar o aumento exacerbado da excreção da serotonina, causando crises de diarreia e rubor facial ou quando provoca crises de hipoglicemia, conhecidos como insulinoma. Apesar disso, na maioria das vezes não há sintomas no início da doença, sendo quase sempre descobertos quando o câncer está avançado.

O novo tratamento, que começou a ser realizado no mundo há menos de seis anos, já se provou mais eficaz que a cirurgia, com 30% menos complicações pós-procedimento. Agora ele passa a ser realizado no Hospital Moriah, que conta com um Serviço de Endoscopia Digestiva que realiza procedimentos diagnósticos e terapêuticos avançados, coordenado pelo Prof. Dr. José Celso Ardengh, também professor da USP de Ribeirão Preto.

Segundo o Dr. Celso Ardengh as cirurgias de câncer de pâncreas apresentam uma mortalidade ao redor de 1 a 2% e com alta taxa de morbidade (eventos adversos) posteriores. “A realização desta nova técnica evita a cirurgia para casos em que o tumor é pequeno e localizado como os tumores neuroendócrinos funcionantes ou não-funcionantes. A radiofrequência através da transmissão de ondas de calor (60 a 100º C) ‘queima’ o tumor, destruindo-o totalmente”.

“O procedimento, além de menos invasivo, representa menor custo, pois o paciente tem sua permanência hospitalar diminuída e tem menos chance de complicações, que elevam o custo da internação, além deste paciente não se tornar diabético (caso que acontece a depender da porção de pâncreas retirada na cirurgia tradicional)”, acrescenta Ardengh.

A técnica

A radiofrequência é uma energia que aumenta a temperatura na ponta de uma agulha, que é introduzida dentro do tumor (no pâncreas), guiada pela ecoendoscopia. A agulha aquecida vai cauterizar a lesão, destruindo-a completamente. A endoscopia é uma técnica que possibilita a visualização de todo o trato digestivo por meio de uma câmera instalada em uma guia flexível, que é inserida pela boca do paciente. O paciente é submetido a uma leve sedação e anestesia local e tem alta no mesmo dia, na maioria dos casos.

Embora a técnica ainda não esteja disponível no rol da ANS e no SUS, os médicos acreditam no enorme potencial da radiofrequência ecoguiada para o tratamento desses tipos de tumores, tanto pelo sucesso, quanto pelo custo inferior envolvido ao da cirurgia tradicional.


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