Água do mar ou da piscina pode elevar as chances de desenvolver a doença, que causa coceira, dor e inchaço. Entenda o que é e conheça causas, sintomas, tratamento e formas de prevenção

Verão é sinônimo de mergulhos no mar e na piscina. Mas essas imersões deixam os ouvidos úmidos, a pele com baixa resistência e propensa a infecções. Com isso, cria-se um ambiente propício para o desenvolvimento da otite externa difusa aguda, popularmente chamada de otite do nadador ou de verão. Ela aparece mais nessa época do ano exatamente por conta da exposição à água, pois a umidade dentro do canal auditivo cria um ambiente propício para bactérias e fungos. Atletas e praticantes de natação e esportes aquáticos, por outro lado, devem se prevenir o ano todo, não apenas no verão. Vamos entender causas, sintomas, prevenção e tratamento, e como diferenciar a otite externa da média.

Causas e fatores de risco

Causas:

1. Bactérias
2. Fungos
3. Alergias

Fatores de risco:

  • Resquícios de água na orelha após nadar na praia ou na piscina geram umidade na orelha, o que favorece o aumento de bactérias ou fungos;
  • Como qualquer infecção, quem tem um sistema imunológico comprometido vai ter maior chance de desencadear a doença;
  • Lesões: cotonetes são grandes ferramentas de lesões na orelha, e costumam ser usados de forma errada para ajudar a retirar a secreção do ouvido, aumentando o risco de otite, já que as feridas são porta de entrada para fungos e bactérias.
  • No caso específico da otite externa, o diabetes é uma das grandes causas predisponentes.

– Quem tem diabetes tem mais chance de pegar doença e, principalmente, de desenvolver casos mais graves, inclusive a otite externa maligna, que é quando a infecção atinge os ossos da região do temporal – afirma o médico otorrinolaringologista Fabrizio Ricci Romano

Sintomas

À esquerda, a orelha normal; à direita, a orelha com otite externa, quando a propagação de fungos e bactérias gera uma inflamação, com dor, vermelhidão, inchaço e sensação de calor — Foto: Istock Getty Images – Reprodução: Eu Atleta / GE – globo.com

 

  • A otite externa causa dor no conduto auditivo e durante a manipulação, ou seja, quando você mexe na orelha.
  • Vermelhidão;
  • Sensação de calor na orelha;
  • Apresenta ainda inchaço, que pode obstruir o canal auditivo e, consequentemente, causar a perda da audição.
  • Às vezes, no começo, antes da dor, o paciente pode sentir coceira;

Limpar demais o ouvido atrapalha

Não se deve enfiar cotonetes no canal auditivo, sob o risco de lesões e de retirada da cera que protege o ouvido — Foto: Istock Getty Images – Reprodução: Eu Atleta / GE – globo.com

 

Saiba que essa frase é verdadeira.

– Remover a cera de forma compulsiva pode acarretar as otites, já que pode ocorrer uma lesão na pele e ser a porta de entrada para bactérias e fungos – conta o médico especialista em otologia Felippe Felix.

Uma das funções da cera dentro do ouvido é impermeabilizar o canal auditivo, o que deixa mais difícil o contato da água com a pele. Dessa forma, as bactérias não conseguem penetrar. Além de ser uma defesa mecânica, a cera também possui algumas substâncias antissépticas que ajudam nessa proteção.

Como descobrir qual otite você tem?

O ouvido se divide em três partes:

  1. A orelha externa, que é formada pelo conduto auditivo e o tímpano;
  2. A orelha média, que é a parte onde ficam ossículos, martelo, bigorna, estribo e tubo auditiva;
  3. A orelha interna, onde estão a cóclea e o labirinto.

A otite externa é a infecção do conduto auditivo e a otite média é a infecção da cavidade timpânica, onde estão os ossículos.
Os sintomas são diferentes, assim como o tratamento, que na otite externa é realizado com gotas otológicas de antibiótico e de anti-inflamatório.

– Só tem necessidade de anti-inflamatório via oral ou analgésico se a pessoa estiver com muita dor. Agora, na otite média só funciona remédio via oral, já que ela ocorre dentro do tímpano – revela Fabrizio Ricci Romano.

Só um especialista para fazer o diagnóstico, que ocorre por meio da otoscopia, usando o otoscópio, um aparelhinho utilizado pelo médico para avaliar o canal auditivo e o tímpano.

Prevenção

  • Não manipule o ouvido, principalmente com hastes de algodão (cotonetes). As microlacerações na pele vão criar uma porta de entrada para as bactérias e também vão acabar retirando o cerume, que é a proteção natural do ouvido;
  • Use protetor auricular se for ficar muito tempo na piscina;
  • Não coloque algodão sozinho ou com óleo morno. Apesar do calor ser analgésico, o óleo não é estéril;
  • Mantenha a orelha seca, com o uso de toalha macia ou secador de cabelo.

DICA EXTRA: misture uma gota de álcool com uma gota de vinagre e pingue a mistura nos ouvidos após passar o dia na água – isso, claro, no ouvido sadio, não com a otite instalada.

– O álcool vai ajudar a secar o ouvido e o vinagre torna aquele meio mais ácido dificultando a proliferação das bactérias – ensina Fabrizio Ricci Romano, que ressalva: – Não exagere!

Fontes:

Fabrizio Ricci Romano é médico otorrinolaringologista e coordenador do Instituto de Sinusites do Hospital Moriah (São Paulo).
Felippe Felix é médico especialista em otologia e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).

Reportagem de Ana Marigliani para o portal Eu Atleta, publicada em fevereiro/2023. Para verificar o conteúdo na íntegra, acesse: https://ge.globo.com/eu-atleta/saude/guia/2023/02/24/dor-de-ouvido-no-verao-pode-ser-otite-externa-a-otite-de-nadador.ghtml


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