Novembro azul

Novembro azul traz mais boas notícias

Já são 15 anos desde que um grupo de rapazes lançou o Movember na Austrália. Dali pra cá, vários países, incluindo o Brasil, mobilizam todo o mês de novembro com campanhas visando a saúde do homem, mas, principalmente, a detecção precoce do câncer de próstata.

Por mais que estejamos bem acostumados a todas essas campanhas, ainda temos um número alto de óbitos. E talvez isso signifique que as campanhas não atingem plenamente a sociedade.

Há ainda um fundo jocoso e muito preconceito com relação ao exame de toque retal, que é o principal método (e mais rápido e barato) para detecção precoce do câncer de próstata. Enquanto que o exame de sangue para detecção do PSA, mesmo com um custo baixo e fácil acesso, tampouco se tornou muito popular. Apesar de não ser uma alternativa ao toque retal, os exames se complementam. Os níveis de PSA (substância produzida somente pelas células da próstata) se mostram aumentados em um exame de sangue quando há um tumor maligno na próstata.

De acordo com a American Cancer Society, homens em geral devem começar os exames preventivos a partir dos 50 anos. Homens negros apresentam maior risco para a doença, então começam os exames aos 45, mas homens com casos na família antes dos 65 anos devem fazer seus exames a partir dos 40 anos. A periodicidade desse screaning deve ser estabelecida pelo médico urologista, para cada individuo, de acordo com seu histórico.

Hoje, o arsenal de tratamentos é muito vasto, mas a cirurgia de total remoção da próstata, chamada prostatectomia, é ainda o método mais eficaz na cura da doença, principalmente em tumores detectados ainda no início.

Um em cada sete homens terão câncer de próstata e as novas gerações já estão conscientes disso e derrubando os tabus. Sabem que quanto mais cedo descobrir as características da doença, melhor. 20% dos casos são de tumores muito agressivos, que podem se espalhar rapidamente pelo corpo. E, por outro lado, bom mesmo é saber que 30% dos cânceres de próstata são pouco agressivos, não levando à cirurgia ou à radioterapia. Esses pacientes são submetidos à vigilância ativa e fazem exames periódicos para acompanhar a evolução (ou não) da doença.

Sempre alguém pergunta “mas como evitar o câncer”. Embora a maioria dos tipos de câncer de próstata não seja “evitável”, vale a regra para toda doença oncológica: dieta pobre em gorduras, peso ideal, atividade física. E no caso da próstata, o licopeno, presente no tomate e na goiaba, entre outros, já se mostrou bastante protetor.

E, de boa notícia, dois estudos publicados na revista European Urology, um publicado em maio e outro de 2016, sugerem que as ejaculações seriam protetoras contra a doença. Ou seja, homens que ejaculam mais na vida adulta (podendo inferir mais relações sexuais), teriam menor chance de desenvolver câncer. No mais recente, um grupo de mais de 30 mil homens foi acompanhado por 12 anos e os pesquisadores identificaram processos biológicos que podem associar maior frequência de ejaculações ao longo da vida com menor taxa de incidência do câncer de próstata.


Hospital Moriah

Hospital Moriah investe em economia de energia

O Hospital Moriah, em São Paulo, instalou uma marquise metálica em seu estacionamento e entrada usando como cobertura painéis solares (fotovoltaicos) de geração de energia elétrica.

Com essa nova marquise o Hospital vai gerar a média de 1.226 kWh por mês de energia limpa, que representa cerca de 0,5% do gasto total de energia mensal. É uma contribuição para o meio ambiente.


hérnia de hiato

O que é hérnia de hiato: causas, sintomas e a cirurgia

Não confunda a hérnia de hiato, que causa refluxo e outros problemas, com a de disco. Veja seus sinais e o que fazer para evitar suas consequências

 

A hérnia de hiato é causada por um afrouxamento na musculatura entre o peito e o abdômen. Como resultado, podem surgir refluxo e queimação. Ganho de peso, gestação, tosse ou constipação crônicas estão entre os fatores de risco para o problema. Mas o que é a hérnia de hiato exatamente e como lidar com ela? Confira abaixo:

Como surge a hérnia

O diafragma é um músculo que separa o tórax do abdômen. Ele tem um orifício por meio do qual passa o esôfago, órgão que começa no pescoço e leva a comida recém-engolida até o estômago. Esse orifício foi batizado de hiato, ou, para os mais técnicos, hiato esofagiano.

Existem ligamentos que mantêm a parte inferior do esôfago no lugar certo, dentro do abdômen. Mas às vezes essas estruturas sofrem um relaxamento ou o hiato se alarga, permitindo que parte do esôfago escape do orifício em direção ao tórax. Pronto: formou-se a hérnia.

À medida que ganha tamanho, a hérnia de hiato passa a produzir sintomas. A pessoa pode sentir dificuldade para engolir e dores no peito, às vezes confundidas com infarto. Em algumas situações, a hérnia leva ao mau funcionamento do esfíncter esofágico inferior, válvula responsável por garantir que os restos de alimentos não retornem esôfago acima. Quando isso acontece, ácidos do estômago sobem e causam queimação e refluxo.

Há dois tipos de hérnia de hiato. A por deslizamento, mais comum, consiste no deslocamento do esôfago pelo hiato. Já na paraesofágica, a junção entre esôfago e estômago está ok, mas parte do estômago se projeta pelo hiato.

A cirurgia como tratamento para hérnia de hiato

Se a hérnia for pequena e assintomática, não é preciso erradicá-la. Mas, quando ela cresce, pode comprometer outros órgãos e a qualidade de vida.

Se for muito volumosa, passa a disputar espaço com o coração e alterar o ritmo cardíaco ou, ainda, prejudica a irrigação do estômago. Nesses casos, indica-se a cirurgia, que recoloca a porção que passou pelo orifício na posição original e recompõe o hiato.

A operação pode ser sugerida também para a reconstrução da anatomia do esfíncter esofágico inferior nos casos de refluxo mais grave. Isso aumenta sua elasticidade e assegura que ácidos e alimentos não subam pelo esôfago.

Como evitar o refluxo provocado pela hérnia de hiato

Comer lenta e espaçadamente, em intervalos de três horas.
Evitar refeições pesadas duas horas e meia antes de dormir.
Elevar a cabeceira da cama quando se deitar.
Maneirar no consumo de comida gordurosa ou bem temperada.
Evitar bebidas com gás e reduzir a ingestão de álcool.
Se estiver acima do peso, buscar emagrecer.
Parar de fumar, pois o cigarro piora a situação.
Usar remédios específicos se o médico os prescrever.

 

Fontes: Angelo Loss, cirurgião especializado em cirurgias minimamente invasivas (RJ); Nilma Ruffeil, gastroenterologista e hepatologista do Hospital Moriah (SP).

Foto de Gustavo Arrais e reportagem de Ivonete Lucírio para a Revista SAÚDE é Vital (Editora Abril, outubro/2018). Disponível para acesso em: https://saude.abril.com.br/medicina/o-que-e-hernia-de-hiato-causas-sintomas-e-a-cirurgia/


Mitos sobre câncer de mama

Mitos sobre câncer de mama que fazem de outubro um inferno em tons de rosa

São 31 dias de fitinha cor-de-rosa e ações de todo o tipo. O câncer de mama merece mesmo o estardalhaço. Afinal, é o que mais dizima a vida de mulheres no Brasil e no mundo, fazendo vítimas cada vez mais jovens por diversas razões. Mas o mês da prevenção também vira o inferno dos mastologistas. Não pelas filas para fazer mamografia, já que grande parte da mulherada se lembra que tem peito em outubro e corre atrás do exame. Quem dera fosse essa trabalheira o motivo.

O problema é outro: a quantidade de informação errada ou incompleta divulgada no período de quatro semanas. Daí todos saem apagando o fogo das ideias equivocadas antes que ele se alastre. Algumas delas são divulgadas por pessoas e até mesmo por empresas bem intencionadas que apoiam as mulheres. Mas, sabe como é, de boa intenção...

Vou direto ao que, penso, é o ponto principal: o bendito autoexame. Chega outubro e é um tal de ensinar o aperta-daqui-e-aperta-também-acolá, no banho, com as mamas ensaboadas para ficar mais fácil, sete dias depois de menstruar para as que ainda menstruam ou em um dia fixo do mês para as demais. Ok, está valendo. Pode fazer isso. Vá em frente. Os mastologistas aprovam o autoexame, mas deixam claro que ele só tem serventia para a mulher conhecer o corpinho que Deus lhe deu e começar a prestar atenção nas mamas doze meses por ano - elas merecem! O autoexame não serve para a detecção precoce do câncer de mama. E ponto.

E, em parte por isso, seis em cada 10 brasileiras só descobrem o tumor mamário quando ele já está avançado; Até mesmo o mais experiente dos médicos, ao palpar as mamas de uma paciente no consultório, não tem condições de notar um tumor recém-nascido. Fique claro: diagnóstico precoce é aquele que flagra lesões não palpáveis, ok?

Nesse mês em que o assunto será esse, só leve a sério quem lhe apontar o caminho certeiro da prevenção. Ele vai levá-lo ao mamógrafo. A mamografia é o exame que realmente faz esse serviço em prol da mulherada. E deve ser repetida todos os anos para aquelas que já passaram dos 40. Até essa idade, o médico pode pedir um ultrassom ou até mesmo uma ressonância, conforme cada caso. Mas, ainda assim, a bendita mamografia que nos salva sempre pode ser solicitada antes dos 40 se, por exemplo, alguém mais jovem tiver casos de câncer de mama ou de ovários na família ou apresentar qualquer sinal suspeito.

Quando a gente fala em suspeita, as campanhas não valorizam tanto todos os sinais em que devemos prestar atenção. Aviso: nem sempre esse angu tem caroço. Digo, que a gente note. Assim como, se acharem um, nem sempre um caroço é um câncer - calma, respire. Sentiu alguma coisa estranha? Corra ao mastologista, menina, corra. E tire logo a dúvida da frente.

O mesmo vale se perceber uma região da mama bem mais endurecida do que outra. Atenção: beeeem mais. Alguma diferença de textura sempre existe mesmo, porque as glândulas mamárias são mais firmes do que a gordura fofa que as rodeiam.

Mas também não se esqueça que uma vermelhidão esquisita, uma coceira sem fim, uma pele do seio que se torna áspera e com aspecto de casca de laranja ou, ainda, que ficou mais escurecida. Mudanças assim deveriam acender o sinal amarelo. Porque um tumor avançadinho pode invadir o tecido cutâneo e, aí, como isso não é tão alardeado (até é, mas a gente só da bola para o tal caroço), perde-se tempo passando hidratante e tomando remédio para alergia.

Líquido que goteja do bico é outro sinal. Se é vermelho, pode ser câncer, assim como pode não ser. Transparente? Idem, às vezes é e às vezes não é. Se for muito escuro, esverdeado, você cairá para trás, certo? Mas aí não é câncer e, sim, outra sorte de encrenca. Benigna, adianto.

Ah, quando o câncer pega as fibras que sustentam o peito, elas podem se retrair. Então, tudo o que você verá é uma discreta covinha, como se a pele estivesse sendo puxada para dentro - opa, alerta máximo! Aproveito e agradeço: quem me explicou tintim por tintim dos sinais para que eu escrevesse estas linhas foi a mastologista Priscila Vilella, do Hospital Moriah, em São Paulo.

Também fala-se muito nas mamas e não aproveitam o mês pintado de rosa para falar dos ovários. Explico. Alguns genes alterados por trás do câncer de mama também desencadeiam o tumor de ovário. Então, se alguém de sua família sofreu da doença nos ovários - mãe, irmã, avós e tias tanto do lado materno quanto, atenção, do lado paterno -, você, mulher, tem mais risco de câncer tanto de mama quanto de ovário, entende? Parênteses: o tumor de útero não conta nessa história, mas, se querem minha opinião, deveria ser colocado no pacote rosa da prevenção, porque os números do país são de cair o queixo dos gringos (ou seja, vergonhosos perto do restante do planeta).

Voltando, já que comentava sobre os genes... Outro mito é o de que só as mulheres mais jovens com caso de câncer na famílai devem ficar atentas. Bobagem, 20% dos tumores apenas correspondem a essa herança de berço. A maioria dos casos tem a ver com o estilo de vida mesmo. Essa tecla deveria ser muito mais batida no mês que está entrando. Mas não, né? As pessoas pensam na prótese de silicone - que não causa câncer, nem atrapalha a mamografia -, falam do desodorante, têm medo de comer carne vermelha demais (não há provas contundentes sobre reacionando o churrasco com câncer), culpam tudo o que não tem culpa nesse cartório. Enquanto isso...

Aqueles pneuzinhos pelo corpo são esquecidos e eles são verdadeiras fabriquetas de hormônios. O problema é certos tumores de mama se alimentam justamente desses hormônios e crescem bonito quando há doses generosas oferecidas por nossas banhas - que, de quebra, distribuiem substâncias inflamatórias capazes de favorecer o crescimento do câncer, no sentido contrário ao da atividade física, capaz de combater essas inflamações pelo organismo e ajudar na manutenção de um peso saudável.

Portanto, seria um paraíso se, além de lembrar da mamografia, outubro fosse um mês de subir na balança, comer direito e fazer muita ginástica. Aliás, como não há mágica que desfaça a ameaça do câncer e da obesidade quando a folhinha virar para novembro, todo mês é mês. Assim como todo dia, mulheres, é rosa.

Texto publicado no Blog da Lúcia Helena em 27 de setembro de 2018.

Fonte: luciahelena.blogosfera.uol.com.br


Prevenção

Prevenção nunca é demais em qualquer idade

Começou o Outubro Rosa e todos os olhares são para a incidência cada vez maior de casos.

Entretanto essa alta incidência é um aumento de casos devido às várias mudanças ambientais e comportamentais das mulheres, ou estamos fazendo mais diagnósticos - e mais precoces, felizmente?

Ambas as respostas são corretas. Se por um lado todas as mulheres tiveram seus riscos aumentados, por menstruarem mais ao longo da vida e terem menos filhos, consequentemente amamentando menos, por outro lado, fatores ambientais como clima, alimentação, estresse e vida mais sedentária, contribuíram para o aumento de casos.

O câncer de mama ganhou vários aliados de peso como a disseminação da informação e todo o arsenal de medicamentos e tratamentos, mas ainda o grande "herói" é o diagnóstico precoce, possível com a mamografia.

Realizar anualmente a mamografia a partir dos 40 anos garantiu a milhões de mulheres um seguimento menos traumático e com mais chances de cura total.

Mas para a mastologista do Hospital Moriah, Priscila Vilella, é importante lembrar que bem antes dos 40, ao 20 e poucos anos, a mulher já precisa estar habituada às rotinas de saúde, conhecendo o seu corpo e fazendo o auto-exame, e pode-se sugerir o ultrassom de mamas, conhecendo os riscos genéticos de sua família e se atendo aos hábitos saudáveis.

Top Five das mulheres no outubro rosa:

  1. se tem mais que 40 e ainda não fez esse ano, agende sua mamografia;
  2. se tem menos de 40, faça sua consulta com o ginecologista e peça a ultrassonografia das mamas;
  3. se não tem o hábito de examinar suas mamas no banho ou passando creme, acrescente isso na sua vida - e não esqueça de apalpar as axilas também;
  4. conhece todos os casos de câncer de sua família? Pergunte, investigue;
  5. elimine os hábitos danosos como fumar, exagerar na bebida alcoólica, ser sedentária.

pâncreas

O que é e para que serve o pâncreas?

Essa glândula fabrica a famosa insulina, mas não para aí. Conheça suas funções no sistema digestivo e no endócrino - e quais as doenças que a atingem

Conhecido por produzir a insulina, o pâncreas é uma glândula com papéis importantes no sistema endócrino e no processo de digestão dos alimentos. É hora de conhecer as suas funções – e alguns problemas de saúde que podem acometê-lo.

Como o pâncreas influencia no sistema digestivo

1. Fábrica a todo vapor: o pâncreas é responsável por produzir diversas substâncias. As principais são a amilase e a lipase. Essas enzimas são excretadas pelos ductos pancreáticos e caem no duodeno, a parte inicial do intestino delgado. É exatamente nesse lugar que elas vão agir.

2. Cortes e reduções: as duas enzimas vão quebrar os alimentos em pedaços menores. A amilase é especializada na digestão do carboidrato, enquanto a lipase atua sobre a gordura. A falta dessa dupla provoca dificuldades na absorção de nutrientes e emagrecimento indesejado.

As funções dessa glândula no sistema endócrino

1. Pequeno arquipélago: existem estruturas no pâncreas chamadas ilhotas de Langerhans. Apesar de numerosas, constituem apenas 2% do tamanho da glândula. Elas são formadas pelas células alfa, que geram o hormônio glucagon, e pelas células beta, que sintetizam a famosa insulina.

2. Faltou doçura: longos períodos de jejum fazem a taxa de açúcar cair muito. Para evitar a hipoglicemia, ocorre a liberação do glucagon. Ele estimula o fígado a transformar seus estoques de glicogênio em moléculas de glicose para o organismo. Isso normaliza a situação.

3. Sangue adocicado: quando há uma grande quantidade de açúcar na circulação sanguínea, o pâncreas é acionado para fabricar a insulina. O hormônio promove uma limpa nos vasos ao botar essa glicose toda para dentro das células, onde servirá como combustível.

Doenças mais comuns que afetam o pâncreas

Problemas inflamatórios agudos: obstrução do ducto pancreático por pedrinhas da vesícula biliar. Seus sinais são dor abdominal e vômito.

Problemas inflamatórios crônicos: eles destroem progressivamente as células da glândula. A maior causa é o consumo de álcool.

Tumores benignos: adenomas, fibromas e insulomas são os mais frequentes. A predisposição genética influencia bastante.

Dá pra fazer transplante de pâncreas?

Por enquanto, essa técnica está indicada para casos mais graves e prolongados de diabetes tipo 1, enfermidade marcada por uma falha na produção da insulina. Geralmente, os médicos trocam não só o pâncreas, mas também os rins, para evitar complicações.

Outra possibilidade é transplantar somente as ilhotas de Langerhans. Mas esse procedimento, feito em poucos centros no mundo, tem sucesso limitado e o quadro pode voltar ao que era em poucos anos.

 

Fontes: Marcelo Perosa, coordenador do Programa de Transplantes de Pâncreas, Fígado e Rim do Hospital Leforte (SP); Thiago Costa Ribeiro, cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Moriah (SP)

Ilustração de Erika Onodera e reportagem de Ivonete Lucírio para a Revista SAÚDE é Vital (Editora Abril, setembro/2018). Disponível para acesso em: https://saude.abril.com.br/medicina/o-que-e-e-para-que-serve-o-pancreas/


hipertensão

A hipertensão e a importância das novas regras

No final de agosto, a Sociedade Europeia de Cardiologia publicou suas diretrizes sobre diagnóstico e manejo da hipertensão arterial. E diferentemente da Sociedade Americana, a SEC manteve a taxa de 14 por 9 como o limite para o considerado normal.

Desde o final de 2017, a American Heart Association e o American College of Cardiology divulgaram a nova definição para pressão arterial alta, considerando qualquer valor acima de 13 por 8 como diagnóstico de hipertensão arterial. O mundo se colocou em alerta, pois diante de tal definição metade da população passa a ser considerada hipertensa.

Entretanto, ambas Sociedades concordam com a necessidade da prevenção e dos hábitos saudáveis para todos hipertensos.

Segundo a cardiologista clínica do Hospital Moriah, Fátima Dumas Cintra, "a importância de pensarmos em uma taxa menor é instituir um tratamento mais precoce, bem como, ter mais campanhas de prevenção e atenção, evitando as complicações da doença, que têm um custo alto para a saúde".

A pressão arterial alta é um dos mais importantes fatores de risco para doenças cardiovasculares e renais. A pressão arterial é constituída de dois números que correspondem a: o primeiro, chamado pressão arterial sistólica mede a pressão da artéria no momento em que o sangue é bombeado do coração para os órgãos; o segundo número, é denominado pressão arterial diastólica e mede a pressão dessa artéria quando o coração está relaxado, após o bombeamento.

A maior parte da população brasileira desconhece seus níveis de pressão e é muito importante fazer essa checagem sistematicamente, após os 35 anos. Embora a hipertensão costume ser mais prevalente no avançar da idade, acometendo 69% dos idosos brasileiros, é a educação dos jovens que fará a diferença no desenvolvimento da doença.

Tanto fatores ambientais como a influência genética devem ser levados em consideração como causadores da pressão alta e, ainda, para quem já tem a doença, sedentarismo, obesidade, estresse psicossocial e até frio intenso podem participar do desencadeamento de doenças cardiovasculares como o infarto agudo do miocárdio. Mais da metade dos infartos no mundo estão relacionados à hipertensão.

É possível que o paciente apresente pressão alta relacionada a doenças prévias, como hipertireoidismo, doença renal aguda ou apneia obstrutiva do sono - que estudos mostram, no Brasil, ser a causa mais prevalente. Ainda assim, é uma doença de causa multifatorial e envolve muitos aspectos sociais e culturais.

O diagnóstico da doença se faz durante o acompanhamento clínico, mas são necessárias várias tomadas de medida da pressão para estabelecer o diagnóstico correto. Uma única medida alterada, em uma situação específica, não é suficiente para o estabelecimento do diagnóstico de hipertensão arterial, uma vez que pode ser normalizada logo após.

Ainda que existam detratores da nova taxa, mais baixa, para determinar a hipertensão, Dra. Fátima Dumas alerta que a principal estratégia para o manejo da doença é a prevenção e não o tratamento farmacológico. As dicas que aqui vão também servem para quem já convive com a pressão alta, para evitar as complicações:

1. Perder peso - IMC (índice de massa corpórea) dentro do normal garante saúde do coração sob todos os aspectos. Cada quilo que se perde, pode garantir um pontinho a menos na medida da pressão.

2. Dieta DASH (Dietary Approach for Stop Hypertension) - essa dieta, por si, já é responsável pela diminuição da pressão em até 11 mmHG (milimetros de mercúrio*. A base dessa dieta são as frutas e verduras e pouca carne vermelha. Guarda semelhanças com as dietas mediterrâneas.

3. Cortar o sal - só essa ação já baixa a pressão em 5 milimetros de mercúrio* - as pessoas pensam que basta não levar o saleiro para a mesa, ou até cozinhar sem o sal, mas, consumir comida industrializada já garante alta taxa de sódio no corpo. Macarrões instantâneos, molhos prontos, molhos de tomate, conservas em lata, refrigerante... praticamente tudo que é pronto nos supermercados têm muito sódio.

4. Atividade física aeróbica diariamente (pode ser correr, andar, dançar, jogar futebol, tênis, enfim), somada à atividade muscular para garantir a saúde das articulações.

5. Diminuir o consumo de álcool - o consumo preconizado pelas associações de hipertensão é de um drinque por dia para mulheres e dois drinques por dia para os homens - injusto ou não, consta que a metabolização do álcool nas mulheres é menos eficiente, não permitindo que o álcool seja totalmente eliminado.

A pressão alta é uma doença que preocupa o mundo todo, pois ela aumenta o risco de mortalidade cardiovascular e também de comorbidades. As complicações mais comuns - e de tratamento caro e difícil - são o acidente vascular cerebral (AVC ou derrame), o infarto, a insuficiência cardíaca e a morte súbita.

Conhecer sua pressão e adotar hábitos saudáveis é fundamental. Não deixe de medí-la sempre que possível e converse com seu médico sobre o assunto.

*Se utiliza milímetros de mercúrio para medir a pressão sanguínea. Esse costume decorre do fato de que o manômetro de mercúrio é utilizado como referência para a medida dessa pressão desde a antiguidade.


Sinusite crônica

Sinusite crônica afeta 5% da população na cidade de São Paulo

A forma crônica da doença nem sempre é diagnosticada porque as pessoas acreditam que não há tratamento.

A sinusite, inflamação nos seios da face, que causa obstrução nasal, secreção constante, dor de cabeça e no rosto e perda de olfato é, na forma mais comum, aguda, causada por infecções virais ou bacterianas, entretanto não é raro que uma pessoa apresente esse quadro há mais de três meses, caracterizando uma rinossinusite crônica.

A maioria das pessoas acredita que não há tratamento para os sintomas e por isso acaba perdendo qualidade de vida ao tentar conviver com a situação.

Hoje, existem alternativas para melhorar ou até curar a doença. O uso de medicação anti-inflamatória por via tópica (através das narinas) é a primeira escolha para a maioria dos casos. Porém, muitas vezes, o remédio não consegue atingir os seios nasais. Para que isso seja possível, realiza-se uma cirurgia por vídeo, sem cortes externos. Na cirurgia, abrem-se as cavidades do rosto, verifica-se a presença de pólipos e eles são retirados. As cavidades abertas podem agora receber a medicação necessária.

Segundo pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da USP, 5% da população da cidade de São Paulo apresenta sinusite crônica. Ainda não é possível saber as causas exatas que podem ser desde genéticas, até causadas por infecções recorrentes, mas também é sabido que a poluição contribui para o agravamento dos quadros.

Essa foi a primeira vez que foi feito um levantamento no país e, infelizmente, não há dados sobre a incidência em outras localidades. O fato é que os pacientes tratam os sintomas de resfriados, gripes, alergias (rinites) e sinusites de forma indiferente e com isso não conseguem obter uma melhora real.

Dicas:

Se o paciente apresenta de forma constante (mais de três meses) os sintomas abaixo, deve consultar um otorrinolaringologista.
• Respirar pela boca;
• Apresentar secreção pelo nariz (de qualquer cor);
• Nariz entupido;
• Mau hálito;
• Perda do olfato.


sistema linfático

Como funciona o sistema linfático – e o que isso tem a ver com a drenagem

Conheça esse sistema fundamental para as nossas células de defesa enfrentarem micróbios, câncer etc - e quando é hora de recorrer à drenagem linfática

Formado por vasos e gânglios, o sistema linfático ostenta uma nobre missão: coletar impurezas da circulação e manter nossas defesas vigilantes contra os micróbios. Em resumo, onde existe circulação sanguínea há também circulação linfática – mas cada um desses sistemas conta com vasos próprios. A função da linfa e dessa rede específica é coletar partículas indesejáveis que trafegam pelo corpo e estimular o sistema imune a conter ameaças. O líquido “purificado” pelo sistema linfático é devolvido ao sangue.

Os detalhes do sistema linfático

Cerca de 10% do plasma, a fração transparente do sangue, escapa dos vasos sanguíneos. Ele vai parar em meio às células, mas é captado depois pelos capilares, vasos fininhos que ficam em contato direto com o meio celular. Nesse líquido se encontram pedaços de vírus e bactérias e detritos do nosso metabolismo.

Aí, os capilares se ligam a vasos linfáticos cada vez maiores e mais complexos, que percorrem o corpo carregando a linfa – nome que o plasma recebe depois de absorvido – juntamente com as partículas coletadas. É difícil identificá-los a olho nu porque, diferentemente do sangue, o líquido ali dentro é transparente.

No percurso dessa rede, os vasos linfáticos encontram linfonodos, ou gânglios. Eles filtram a linfa, retirando componentes nocivos, e acionam células de defesa para combater vírus e bactérias. Também fazem parte do sistema estruturas maiores, como o baço, o timo e as amígdalas, importantes sobretudo na infância.

Os vasos linfáticos desembocam no chamado ducto torácico, que vai do abdômen ao pescoço. É no final desse tubo que a linfa, já filtrada, volta ao sangue, precisamente no momento em que o ducto se conecta a duas veias, a subclávia e a jugular. E aí a história recomeça.

A drenagem linfática

O fluxo no sistema linfático é garantido por contrações dos próprios vasos e dos músculos. Mas, quando a pessoa fica acamada, passa por cirurgia ou sofre com problemas cardíacos, renais ou hepáticos, a linfa não circula direito.

Eis que os movimentos que os dedos fazem na drenagem acompanham o sentido dos vasos e empurram o líquido para os gânglios. Mas o ideal é conversar com um especialista antes de se submeter à técnica. Até porque ela não é isenta de reações adversas e pode ser contraindicada em casos de câncer.

Doenças que afetam o sistema linfático

Linfedema: é quando a linfa se acumula no espaço entre as células por diferentes fatores, como alterações genéticas e traumas provocados por pancadas e cirurgias, por exemplo.

Elefantíase: doença causada por um parasita transmitido nas picadas do mosquito Cúlex. Leva a uma inflamação dos vasos linfáticos, fazendo com que a linfa se acumule nos membros inferiores.

Linfoma e leucemia: são tipos de câncer que se originam de células que circulam pelo sangue e pelo sistema linfático, como os glóbulos brancos. Existem subtipos que afetam crianças e/ou adultos.

Metástase: o termo quer dizer que o tumor conseguiu se espalhar para outros órgãos. E alguns cânceres, como os de mama, pulmão e intestino, se valem do sistema linfático para isso.

Fontes: José Maria Pereira Godoy, médico da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV); Marcus Gaz, clínico-geral da Sociedade Beneficente Israelita Albert Einstein (SP); Regina Biasoli, hematologista do Hospital Moriah (SP).

Ilustração de Erika Onodera e Eduardo Pignata e reportagem de Ivonete Lucírio para a Revista SAÚDE é Vital (Editora Abril, agosto/2018). Disponível para acesso em: https://saude.abril.com.br/medicina/como-funciona-o-sistema-linfatico-e-o-que-isso-tem-a-ver-com-a-drenagem/


estudantes de medicina

Hospital promove aula para aproximar estudantes de medicina da rotina da profissão

O Hospital Moriah promoveu uma aula especial para aproximar os estudantes de 17 universidades de medicina da rotina da profissão. A aula foi ministrada pelo Prof. Dr. Miguel Srougi, que falou sobre a relação humanizada entre médicos e pacientes, mercado de trabalho e os desafios na formação de novos médicos. Confira a matéria:



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